22 de ago de 2010

Relato da Canonização




A “Santa Madre Kinga” no álbum dos santos



L’Aiuola di Santa Chiara, Anno XXXVIII n. 4 – luglio-agosto 1999
Tradução: Irmã Maria Renata - Lages

Na recente viagem do Santo Padre à Polônia, rica de acontecimentos e surpresas, talvez escapou a muitos a singular reunião de uma multidão em uma grande esplanada diante de um mosteiro de Clarissas, excepcionalmente presentes entre a multidão e protagonistas em trazer ofertas e dons durante a celebração eucarística. O grande quadro que dominava o altar representava uma monja de outros tempos.
Estamos habituados as beatificações e canonizações realizadas nos lugares de origem das mulheres e dos homens que testemunharam Cristo, mas seguidamente nos escapa importância daquela figura para o seu povo. Penso que isso valha de modo especial para o nosso caso. A nova santa que o Papa João Paulo II apontou não só para a Igreja da Polônia como modelo e exemplo de vida cristã no limiar do terceiro milênio, viveu em 1200, numa época muito próxima à origem de nossa Ordem, na qual o eco da santidade de Clara de Assis está percorrendo a Europa. É espontâneo perguntar-se qual pode ser a atualidade de sua mensagem. Procuraremos responder apresentando brevemente a sua história. Cunegundes, chamada familiarmente Kinga, nasce em 1234 na Hungria, filha do rei Bela IV, irmão de Santa Isabel. Pertence àquela nobreza medieval cristã que considera seu empenho fundamental tender a santidade: também as suas irmãs Iolanda e Margarida são veneradas como bem-aventuradas pela Igreja, Santa Inês de Praga é sua prima. Ainda muito pequena, segundo o costume da época, é dada como esposa a Boleslau de Cracóvia, que tem alguns anos a mais que ela. As duas crianças são educadas juntas como príncipes cristãos. Sobre a pequena Kinga incidirá especialmente a duquesa Grymislawa, mãe do esposo. Goza também da amizade da irmã dele, Salomé, cuja história possui muitas características em comum com aquela da nova santa e é também venerada como bem-aventurada.
Chegados à idade adulta, Kinga e Boleslau decidem viver em perfeita castidade, segundo um costume típico de um tempo no qual o matrimônio, sobretudo entre os nobres, não é uma escolha livre dos interessados. As vicissitudes da vida, que conheceu logo os incômodos do exílio pela invasão dos Tártaros, contribuíram para temperar a personalidade doce e forte desta mulher que, tornada duquesa de Cracóvia, manifesta os seus grandes dotes de cristã e guia de seu povo. dedica-se com sagacidade a promoção da vida dos cidadãos procurando elevar as condições dos mais pobres, mesmo com iniciativas ousadas de natureza econômica, como a exploração de minas de sal. Coloca todo o seu dote nas obras de reconstrução após a devastação das hordas bárbaras. Socorre os pobres com todo os meios, mas não se contenta em doar em profusão os bens materiais, se dedica com amor às pessoas. Ainda mais, promove a justiça social e coopera incessantemente para a pacificação entre os príncipes polacos em vista de uma unificação da qual nascerá a Polônia como nação.
No entanto, prossegue seu caminho espiritual como terceira franciscana, vivendo uma intensa comunhão mística com Jesus Cristo, que não podemos documentar porque não deixou escritos. Empenha-se com grande força na difusão da fé cristã também além dos confins do ducado, em direção a Rutenia (hoje parte da Ucrânia) e outros povos ainda pagãos.
Aquilo que se destaca principalmente em um dinamismo continuamente atento ao bem dos irmãos é o estilo desta mulher que tendo renunciado a maternidade natural, torna-se verdadeiramente mãe de muitos, segundo as palavras do Papa. O povo, de fato, a chama : “consoladora”, “médica”, “nutriz”, “santa mãe”. É sobretudo a última denominação a desafiar os séculos. Assim permaneceu nos corações dos polacos com uma memória que o tempo não atenuou como a “Santa mãe Kinga”.
Com a morte do marido, se estabelece em Sacz onde se dedica a edificação da região: constrói vilas e cidades, organiza as paróquias, constrói igrejas entre as quais aquela, com convento anexo, para os frades menores. Edifica também um mosteiro para as Clarissas no qual entra, enfim, em 1288. Aí se distingue especialmente pela sua humildade, pela simplicidade com que acolhe e torna próprio o novo estilo de vida. Para ajudar as irmãs a interiorizar a oração da Igreja, traduz para o polonês todo o saltério, deixando assim o primeiro texto escrito em língua polonesa, colocando assim a semente da cultura de uma nação. Em 1291 adoece gravemente da longa doença que a conduz ao encontro com Cristo: acolhe-a com grande serenidade, como expressão visível da vontade de Deus. Extingue-se em 24 de julho de 1292 em Sacz e é sepultada na igreja do mosteiro. A fama da santidade desta excepcional figura de mulher, testemunha de Cristo na família, na sociedade, na política, na organização social e econômica, na cultura e na arte, mas ainda mais sua seguidora na perfeita caridade, na humildade e pobreza e na serena adesão a vontade do Pai em um íntimo diálogo de amor, concluído com cinqüenta e oito anos no silêncio do claustro que colocou o sinal numa vida sempre inteiramente doada ao Deus trino, começou logo a expandir-se. As vicissitudes históricas impediram até hoje a conclusão do processo canônico, mas a multidão de irmãos e irmãs da Polônia, da Hungria, da República Tcheca, da Eslováquia, da Ucrânia, confirma as palavras do Papa ao fim da homilia: “os Santos não passam: os Santos invocam a santidade. Santa Kinga, Senhora desta terra, impetra-nos a graça da santidade!

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